Carolina convida Adalberto Costa Jr a contragosto

Lisboa – A Presidente da Assembleia Nacional de Angola, Carolina Cerqueira, terá convidado, a contragosto, o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, para participar da abertura da reunião da assembleia da União Interparlamentar (UIP) em Luanda, que acontece de 25 a 29 de outubro sob o tema “Ação Parlamentar para a Paz, Justiça e Instituições Fortes.” A UNITA enviou seis deputados para representá-los, mas o nome de Adalberto Costa Junior não estava na lista, o que levou a perguntas dos parlamentares deste partido, uma vez que o líder de outro partido, PRS, Benedito Daniel havia sido convidado.

Uma hora antes da abertura oficial do evento programada para as 19 horas, o parlamento enviou um convite a Adalberto Costa Junior, que, no entanto, não compareceu. Segundo apurou o Club-K, algumas vozes em Luanda acreditam que o regime não estava disposto a tê-lo presente nesta atividade com mais de 1000 delegados e entidades estrangeiras.

Desde a chegada de João Lourenço ao poder, houve um afastamento visível em relação a Adalberto Costa Junior. Em abril de 2021, João Lourenço realizou o primeiro “almoço da paz” no palácio presidencial, convidando nacionalistas, mas excluindo Adalberto Costa Júnior, líder do partido que havia subscrevido o memorando para a paz com o governo em abril de 2002. Por outro lado, convidou figuras históricas da UNITA, como Isaías Samakuva, José Samuel Chiwale , Miraldina Olga Jamba mas estes declinaram o convite em solidariedade a Adalberto Costa Júnior, que havia sido excluído.

Devido a críticas e pressões, João Lourenço corrigiu o erro no ano seguinte, convidando Adalberto Costa Jr para um “jantar da paz”.

O distanciamento entre os dois líderes políticos aumentou e dividiu opinões no próprio regime. O Serviço de Inteligência Externa (SIE) recomendava a reunião entre João Lourenço e o líder da UNITA como uma medida para reduzir a tensão política e atrair investimento estrangeiro direto. No entanto, o MPLA tinha uma posição oposta baseada nos resultados de pesquisas que apontavam um “empate técnico” entre as duas principais forças políticas do país em termos de aceitação popular. Eles argumentaram que um encontro entre os dois líderes políticos reforçaria a legitimidade de Adalberto Costa Júnior como “chefe da oposição,” o que levou a uma hostilização contínua por parte de Lourenço.

A resistência de João Lourenço em aceitar Adalberto Costa Júnior como seu adversário deve-se, em parte, à crescente aceitação que este conquistou na sociedade desde que assumiu a liderança da UNITA, particularmente entre os jovens que nasceram após o conflito armado e anseiam por mudanças imediatas em Angola.

 

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