Por suposto furto de duas galinhas oficial das FAA mata à pancada jovem de 23 anos e deixa outro gravemente ferido

Luanda – O hediondo facto que deixou a sociedade planáltica completamente chocada ocorreu no bairro “Cavongue Baixo -Chitunda, província do Huambo, onde familiares da vítima que em vida se chamou Joaquim Cassinda, (também conhecido por Ló), denunciam Moisés Chivela, suposto oficial das Forças Armadas Angolanas (FAA) com a patente de capitão, de ter raptado dois jovens – por suspeita de estes terem furtado duas galinhas da sua capoeira-, e levados a parte incerta, onde foram espancados resultando na morte imediata de Ló e ferimentos graves ao amigo do malogrado, Gabriel Fernando (com apelido de Dosma).

Fonte: Club-k.net

De acordo com fontes deste jornal, o oficial das FAA, funcionário do laboratório do Hospital Militar do Huambo, teria sido informado pelos seus guarda-costas sobre o desaparecimento de duas galinhas que se encontravam na sua obra no referido bairro, apontando como assaltantes o jovem Joaquim Cassinda (Ló), de 23 anos de idade, e o seu amigo Gabriel Fernando (Dosma), de 20, ambos lavadores de carros na lagoa “R-21”.

Por sua vez, a vítima sobrevivente da tortura física Dosma, entrevistado por este jornal, afirma que o seu amigo Ló já tinha sido raptado no dia 24 de Novembro último por volta das 19h pelo oficial militar e os seus guarda-costas de nomes Zidany e Edu, quando o jovem saiu à rua na compra de óleo vegetal para preparar o jantar, tendo aparecido apenas na manhã do dia seguinte, 25, mas com sinais graves de espancamentos.

Ainda no mesmo dia, 25 de Novembro, conta Dosma que testemunhou a morte do amigo, foram-lhe buscar em sua própria casa com promessas de lhe oferecer trabalho, uma vez que era lavador de carros, este não hesitou. “Foram na minha casa e me falaram que tinha trabalho para mim. Como ando desempregado apenas lavamos carros na lagoa R21, não neguei nem perguntei que tipo de trabalho. Mas eu não sabia que afinal eram eles que tinham raptado o Ló um dia antes, nem sabia que o Ló já estava em casa a sangrar de tanta porrada por ter roubado galinhas. Nós nunca vimos as tais galinhas”, confessou a este jornal.

Posto na viatura conduzida pelo oficial na companhia de seus guardas, lembra Dosma de 20 anos, foi levado na obra do “sujeito” onde se alegavam terem desaparecido duas galinhas (estes animais que viriam a custar uma vida humana Ló), Dosma foi amarrado e começou a tortura com porretes. Enquanto isso, Moisés Chivela (de arma de fogo em punho) e os seus “capangas” voltaram à casa de Ló, que no dia anterior (24) já tinha sido espancado, arrombaram as portas e levaram-no novamente à sua obra onde estava Dosma a ser sacrificado por conta de duas galinhas.

“Eu assustei quando vi o meu amigo Ló a ser tirado do carro altamente ferido e já nem conseguia se pôr de pé, mas ainda assim não nos sentiram pena. Mesmo nós a dizer que não tínhamos visto as galinhas. Depois de me partir o porrete nas costas, o capitão mandou os guardas irem buscar uma catana e martelo com que me queimaram as nádegas e me partiram os dedos”, explica.

Ainda segundo este sobrevivente, na primeira pessoa, conta que a tortura começou as 9h do dia 25 até por volta das 18h. Pela gravidade que apresentava Ló, o oficial das FAA decidiu levá-los ao soba da aldeia, onde aquela autoridade tradicional se recusou resolver o caso, tendo orientado o militar a levar o caso à polícia local, uma vez que Joaquim Cassinda (Ló) já se encontrava moribundo, à beira da morte.

Gabriel Fernando (Dosma), disse que viu o seu amigo Ló morrer naquele momento, sendo que em seguida apareceu a suposta esposa do oficial das FAA, conhecida apenas por Ju, a conduzir uma viatura de marca Elantra, com a qual levou o corpo do jovem Ló para parte incerta, durante uma semana, até ser encontrado no dia 2 de Dezembro, mas sem os órgãos da barriga (barriga aberta todos intestinos subtraídos) e sem rosto, segundo lamentou Dosma, aos microfones deste jornal.

Os familiares do malogrado vão mais longe e suspeitam a “6ª Esquadra da Polícia Nacional do Huambo”, onde apresentam a denúncia do suposto homicídio, de abafar o caso que envolve um oficial do Exército, Moisés Chivela, detentor de abuso de poder naquela localidade, numa altura em que também as autoridades policiais locais não se predispuseram em remover o cadáver, nem se quer um processo contra os indivíduos terá sido aberto.

O corpo de Ló teve de ser transportado no obro por um jovem familiar, este jornal tem provas, inclusive com fotografias do cadáver a ser levado, pelo que exigem justiça, numa altura em que os indivíduos implicados no suposto assassinato de Ló e ferimentos graves a Dosma estão soltos, sem qualquer processo criminal.

“O militar entrou armado dentro de casa e tirou o rapaz do quarto onde estava a descansar. De seguida levo-o até a sua obra juntamente com os seus dois guardas chamados Zidany e Edu, foragido, torturaram o nosso irmão Ló até a morte e o seu amigo Dosma que felizmente sobreviveu, mas foi queimado com catana quente nas nádegas e partido os dedos. Queremos justiça. Alguém de direito para nos defender. Os assassinos estão soltos a andar à vontade e o nosso irmão morreu por um crime que não cometeu. Duas galinhas levam vida de pessoa?!”, segundo declarações de familiares.

Segundo apurou este jornal, as galinhas dadas como desaparecidas do quintal da obra do militar, apareceram horas depois pelas mãos dos respectivos guarda-costas de Moisés Chivela, o oficial das FAA que decidiu fazer justiça por mãos próprias até à morte de um ser humano. Este jornal soube também de pessoas próximas que testemunharam o caso, que tudo passou por uma manipulação dos próprios guardas que dissimularam o seu chefe para incriminar jovens inocentes.

Este jornal procurou ouvir o acusado Moisés Chivela por telefone, mas até ao fecho desta edição não fomos bem sucedidos, pelo que garantimos acompanhar o processo e trazermos mais dados nas próximas edições.

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