Governo cede à “ameaças de protesto” e libera mais de kz dois mil milhões para requalificação da Ombala do Bailundo

O governo autorizou a despesa e a abertura do Procedimento de Contratação Simplificada, pelo critério material, para a reabilitação, o apetrechamento e a conclusão do Projecto de Requalificação da Ombala do Bailundo, no valor de Kz 2 872 238 541,20 (dois mil milhões oitocentos e setenta e dois mil, quinhentos e quarenta e um e vinte kwanzas).

As obras de requalificação da Ombala do Bailundo, no município do Bailundo (Huambo), estão paralisadas há cinco anos por razões financeiras. Contemplam a construção do Palácio do Rei, 35 residências para os seus assessores e os túmulos onde repousam os corpos dos reis, Katiavala e os Ekuikui II e IV.

O projecto, iniciado em 2012, abrange também os locais sagrados onde estão preservados os crânios dos anteriores reis, numa acção que visa dar mais dignidade ao símbolo de resistência do povo Umbundu, por serem estes os locais onde as autoridades tradicionais realizam actividades para pedirem aos ancestrais fertilidade, boa colheita, chuva, protecção e a paz para os angolanos.

No mesmo Despacho Presidencial n.º 24/21, o Presidente da República, João Lourenço, delega competência ao ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, com a faculdade de subdelegar, para a aprovação das peças do referido Procedimento, a criação da Comissão de Avaliação, bem como da verificação da validade e legalidade de todos os actos praticados no âmbito do presente Procedimento.

Conflito

A aprovação do orçamento surge numa altura em que há um certo conflito entre o actual Reino do Bailundo e a Cidade Alta, após condenação do actual rei, Armindo Francisco Kalupeteka, Ekuikui V, a seis anos de prisão maior, por ter ordenado a execução de um cidadão num julgamento tradicional.

A juíza Maria Imaculada Lucinda, na altura da leitura da sentença, em Fevereiro último, deu como provado o envolvimento de Armindo Francisco Kalupeteka na morte de Kamutali Epalanga, acusado da prática de feitiçaria, que terá resultado a morte da sua neta, de nome Adélia.

O crime aconteceu na Ombala do Bailundo, no dia 14 de Março de 2017, numa sessão de julgamento tradicional conduzido por Armindo Francisco Kalupeteka, durante o qual era usada uma bengala, denominada “Ginga”, supostamente movida por forças ocultas, até encontrar o culpado, que depois terá sido espancado até à morte.

Em protesto à sua condenação, o rei do Bailundo prometeu sair à pé do Huambo até Luanda, numa caravana composta por 30 elementos. A marcha, agendada para o dia 15 de Março, tem como finalidade exigir explicações sobre o atentado à soberania do rei do Bailundo.

Reino do Bailundo

O reino do Bailundo foi fundado no século XV, até então designado por Halavala. Foram soberanos do mesmo, os reis Katiavala I, Jahulo I, Samandalu, Tchingui I, Tchingui II, Ekuikui I, Numa I, Hundungulo I, Tchissende I, Jungulo, Ngundji, Tchivukuvuku Tchama Tchongonga, Utondossi, Bonji, Bongue, Tchissende II, Vassovava e Katiavala II.

Ekongoliohombo, Ekuikui II, Numa II, Moma, Kangovi, Hundungulo II, Mutu Ya Kevela (vice-rei), Tchissende III, Jahulo II, Mussitu, Tchinendele, Kapoko, Numa II, Pessela Tchongolola e Ekuikui III Ekuikui IV reinaram igualmente o Bailundo. Ekuikui V é o actual soberano.

Fonte: Correio da Kianda

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